Não estou a dizer que o Nuno Melo tem uma patologia mental, mas…


Passou-se, só pode — ou então o sangue todo do cérebro está a ser desviado para irrigar as capilares das sobrancelhas.

Só assim se percebe que tenha escrito, no último editorial do Jornal de Notícias, que as pessoas que procuram alterar a sua definição legal de género estejam “eventualmente padecendo de perturbações de personalidade ou patologias mentais”.

Só isso explica que use, com cara séria (pelo menos, deduzo eu, que nunca o vi sorrir), expressões como “extrema-esquerda radical”¹ e “terrorismo sociológico” para falar do assunto, em termos tão incendiários que se pensaria que o BE tinha proposto a sodomia compulsiva.

Só assim se compreende que pense que dotar alguns de uma liberdade que só a eles diz respeito, é “impor uma ditadura” aos restantes.

Só assim se percebe que diga que “uma sociedade de valores encarna, necessariamente, a perspetiva dominante da comunidade que a constitui”, ignorando o facto básico de que uma sociedade de valores não pode nunca ser uma tirania da maioria.

Só não se consegue mesmo perceber é como é que o Nuno Melo, eventualmente padecendo de perturbações de personalidade ou patologias mentais, ainda consegue escrever para jornais.²


¹ “Extrema-esquerda? Nã… Esquerda radical? Não chega… Extrema-esquerda radical, perfeito!”

² Aqui há tempos havia um deputado do PS que se orgulhava de “malhar na direita”. O Nuno Melo tem um papel semelhante, na direcção oposta: o dele é de rosnar, morder e, em último caso, babar-se para cima da esquerda. Ele é o cão raivoso da direita. Da extrema-direita radical.