O regresso do retorno da vingança do passado


Depois de ouvirmos o novo álbum dos ultra famosos, e devidamente, Pink Floyd, podemos dar por garantida a promessa de todos os oráculos que nos diziam que a nossa infância iria ser recriada e retornada aos nossos ouvidos.
Com o reaparecimento dos inúmeros filmes de super-heróis, e outros heróis de banda desenhada e animação dos anos noventa (p.e. Transformers e Tartarugas Ninja) verificámos a tentativa rocambolesca das produtoras de cinema de nos chamar de novo às salas de cinema e hipnotizar-nos novamente, tal como nos hipnotizavam as televisões aos sábados de manhã.

Até tentaram convencer-nos que estavam a fazer coisas boas, mas com o horrorífico filme que foi o novo Conan… Admito que nem o vi.

Mas agora só faltava um filme do He-man, com o intemporal Dolph Lundgren claro, até porque ele, intemporalmente, ainda anda por aí a partir a loiça toda.

Mas o que queria mesmo ver e felizmente posso anunciar são dois jogos que nos fizeram rir, gritar, ranger os dentes e todas essas delícias, nomeadamente: Carmaggedon e Postal²: Paradise Lost.
O primeiro, um jogo de corridas onde se fazia tudo menos chegar primeiro, a não ser que se quisesse obter o quase indestrutível carro da polícia. E indestrutível é a palavra certa neste jogo, porque um dos objectivos, o principal, para ganhar uma corrida era simplesmente destruir os carros dos oponentes. Também se podia ganhar por matar um certo número de pessoas (sim atropelam-se pessoas, daí aparecer o fatídico carro da policia, entre outras razões) o que era bastante difícil, porque as pessoas são fininhas e às vezes desviam-se (posso garantir porque já me desviei de um carro que vinha na minha direcção… mas bem, num jogo a coisa é diferente).

O segundo, se ainda se lembram, é Postal² (mais precisamente uma extensão ao jogo anterior).

Postal original foi lançado em 1997 e Postal² em 2005, para retirar as dúvidas de que este jogo não se enquadra no artigo. O Postal foi dos jogos mais difíceis e estranhos que já joguei, não deixando de ser excelente, como muitos da mesma década.

Este jogo é a história de um “simpático” psicopata que (de repente?) perde a cabeça e decide limpar a cidade de gente menos decente… Não deixando de limpar o cebo a uns quantos bystanders pelo caminho. Neste temos opções maravilhosas como pegar numa caçadeira e num gato e usa-lo como silenciador/projéctil. Ou não: se há coisa que o Postal² nos dá, são opções! Se quisermos, podemos até seguir no nosso dia-a-dia habitual enquanto protestantes, terroristas, e, sim, até mesmo elefantes criam caos por todo o lado. Mas claro, o caos é muito mais divertido quando participamos nele. Contém também personagens fantásticas como o entretanto falecido Gary Coleman, estrela da sitcom Diff’rent Strokes, que aparece como uma guest star numa sessão de autógrafos ingame que, inevitavelmente, dá para o torto de maneira espectacular!

Por isso posso dizer que estou satisfeito (err.. mais ou menos) com o que se tem feito nestas áreas, quer música, cinema ou vídeo-jogos. Ainda bem que existem novas formas de apoiar os criadores e ainda bem que as produtoras antigas ainda têm tomates para lançar novos produtos contra as mega-editoras triple-A que parecem que só gostam é de lançar “amendas” a fórmulas testadas.


Este artigo foi escrito com a graciosa colaboração de Francisco Eurico Leite.