Um belo monte de Trump


Acerca da mais recente (mas certamente não a última) polémica à volta do Donald Trump: o que choca nem é que o Trump seja aquilo que toda a gente sabe que é — um predador sexual grotesco cuja fortuna e fama são a única coisa a separá-lo de uma cela de prisão, perfeitamente convencido que é obra do seu fabuloso estilo e carisma que os seus avanços sexuais sejam recebidos com um sorrisinho nervoso e não um jacto de spray pimenta nos olhos.

Nem que se rodeie de uma entourage de cães de colo sempre prontos a dar pinotes de alegria por qualquer gabarolice rastejante que lhe escorre da boca. E que depois ainda peçam abracinhos em nome dele, numa cena mais arrepiante do que qualquer uma do “It Follows“.

Deverá surpreender exactamente ninguém: é um facto inelutável da vida, a relação simbiótica entre esta fauna e qualquer indivíduo que goze de algum estatuto social, quais rémoras a comer os dejectos de um cachalote.

Para mim, a única revelação que interessa é esta: o Trump é um gajo tão privilegiado, tão sem noção que, quando confrontado com uma porta encostada, o seu primeiro instinto não é estender a mão para a maçaneta mas bater à porta para que lha abram.