Alguns filmes assustadores, outros que nem por isso


Depois de uma ausência de mais de um mês, decidi usar o meu regresso às minhas funções no Ministério para fazer algum serviço público. Uma conversa online lembrou-me daqueles pobres filmes que passam pelas brechas da atenção pública e não chegam a receber a atenção que merecem! Decidi então dedicar este artigo a algumas dessas obras.

A palavra de ordem para o artigo de hoje é terror. Mas, como sou uma pessoa ligeiramente errática, vamos lidar com níveis de terror! Os quatro filmes que vou apresentar vão ficando progressivamente mais estapafúrdios à medida que saltam do terror para o humor — as coisas tornam-se mais interessantes quando são variadas, afinal! Ora então, comecemos:

The Babadook

O filme de estreia (e, até ao momento, único) de Jennifer Kent explora o terror de uma maneira bastante própria. O seu título ligeiramente infantil é mais do que apropriado, já que o filme segue uma mãe e o seu filho durante o seu encontro com uma aparente entidade sobrenatural semelhante ao clássico Bicho Papão. Os sentimentos de terror no filme são evocados de uma maneira que será desconfortavelmente familiar para qualquer pessoa: através da frustração.

Sim, “The Babadook” é sem dúvida um filme de terror. Mas é ao mesmo tempo uma espécie de viagem psicológica, que nos puxa para dentro das neuroses das personagens, replicando assim na mente de quem vê alguns dos sentimentos das personagens.

Como qualquer bom filme de terror, “The Babadook” não é só sobre aquilo que está à superfície — tematicamente, tem tanto a ver com terror clássico como com frustrações do quotidiano. Consideravelmente amplificadas, claro!

Pontypool

Pontypool é uma aldeia canadiana. “Pontypool” é também, como seria de esperar, um filme de terror. Se não fosse, eu não estaria a falar dele. Curiosamente, é um filme que quebra à força toda a regra do “mostra, não contes”… E daí, se calhar não. Ele conta-nos muito, mas o que nos conta não é bem sobre a história que nos está a contar. O que nos conta também tem um bocado a ver com frustração, como aquilo que nos contava o conto anterior nesta contagem que aqui estou a… contar? Contas… Conta conta conta conta conta conta………… Conta?

Severance

Este é, sem dúvida, o patinho feio de entre os filmes deste artigo — enquanto os outros filmes são obras-primas genuínas, “Severance” é só… bom. Curiosamente, é também o que mais se assemelha a este artigo: o filme está constantemente a variar de tom, numa espécie de crescendo. É frequentemente comparado a uma mistura da série “The Office” com uma franchise de terror, e a comparação é relativamente adequada. Infelizmente, o resultado final não saiu lá muito bem — o filme não mistura propriamente as duas ideias, o que faz é usá-las alternadamente.

Ao ver “Severance”, quase que salivei a imaginar o que dali poderia sair caso o filme tivesse sido um pouco mais trabalhado. O seu problema maior é a falta de ritmo: tem muitos momentos em que nos dá tempo para pensar que podíamos estar a ocupar as horas com coisas melhores. Os outros momentos, felizmente, compensam.

Tucker & Dale vs Evil

Este é, de certo ponto de vista, um filme de terror virado de pernas para o ar: “Tucker & Dale vs. Evil” pega em diversos clichés do género e vira-os do avesso. Se não fosse o ambiente cómico do filme, quase que podíamos dizer que é uma história de terror que acontece devido a meros acasos e coincidências.

Ao contrário de filmes como “Scary Movie”, não se nota aqui qualquer tipo de desprezo pelo género; o filme é uma paródia, sim, mas nota-se que não só compreende, como tem respeito pelo género com que está a brincar. É uma história bem construída, que não depende de piadas fáceis nem do gross-out humor que é usado até à exaustão na série “Scary Movie”. Note-se, porém, que isto não quer dizer que seja adequado a pessoas com estômago fraco!


Imagem de destaque da autoria de Goocher Films

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