O futuro de um Universo (e algum do seu passado oculto) — Parte 2


Como uma carraça particularmente persistente, continuo hoje com o meu bombardeio informativo centrado em personagens que aparecerão nos filmes vindouros do Universo Marvel Cinematográfico. Caso ainda não tenham lido a primeira parte desta série de artigos, aconselho veementemente a que o façam como uma espécie de aquecimento mental. É que esta segunda parte é consideravelmente mais… surreal.

Doctor Strange — 4 de Novembro de 2016

De todos os filmes anunciados pela Marvel, este é sem dúvida o que mais me entusiasma. Não por qualquer tipo de amor que tenha pela personagem (que, por sinal, tenho) mas porque é sem dúvida o que tem maior probabilidade de ser, como os nossos amigos anglófonos diriam, batshit insane!

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Um dia habitual no consultório do bom Dr.

Creio que deve ser escusado dizer isto depois de mostrar a gloriosa imagem que acabaram de ver, mas aqui vai: o Doutor Estranho não é propriamente o estilo de super-herói mágico que transforma um assaltante numa galinha. É mais o estilo de super-herói mágico que impede que algum tipo de entidade cósmica e incompreensível retorça permanentemente as mentes de todos os seres humanos na Terra de maneira a que todos julguem que são galinhas (sem dúvida como parte de um plano inefável de domínio universal!) Os vilões que o Doutor Estranho tende a combater são mais conceitos do que propriamente pessoas.

O que pouca gente sabe é que já existe um filme do Doutor Estranho. Mas deixo o aviso de que é um telefilme do final dos anos 70, com o intuito de lançar uma série televisiva. Caso a vossa curiosidade mórbida leve a melhor, aqui têm o trailer em toda a sua “glória”.

Guardians of the Galaxy 2 — 5 de Maio de 2017

Se há uns anos atrás perguntasse a alguém na rua se conhecia os Guardians of the Galaxy, a resposta seria muito provavelmente “Quem?”, seguido de um “Desculpe, não tenho nada para lhe dar.” Nos dias de hoje, a resposta tem uma probabilidade um pouco maior de ser “Eu sou Groot. Desculpe, não tenho nada para lhe dar.” Mas mesmo com a recém-obtida fama da equipa, há alguns detalhes que ainda escapam ao público em geral. Falemos então do Drax.

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Representado aqui à direita, a massajar o pescoço do Hulk

No filme, Drax é-nos apresentado como um alienígena que pretende vingar-se de Ronan, o vilão du jour, por este lhe ter massacrado a família. Se trocarmos alienígena por humano e o Ronan pelo Thanos, temos a história da personagem na banda desenhada. Sim, Drax é um ser humano perfeitamente normal… Mais ou menos. Seria mais correcto dizer que foi um ser humano perfeitamente normal.

Nascido algures nos Estados Unidos, Arthur Douglas estava numa amena viagem de carro com a família quando Thanos, o Titã decidiu que os ocupantes do veículo estavam um bocadinho vivos demais para o gosto dele. Escusado será dizer que os tentou matar. Mas, para infelicidade dele, só conseguiu matar os pais: a filha do casal, Heather Douglas, escapou à fúria do Titã Louco.

Não quero com isto dizer que a Heather eventualmente se tornou no Drax! Não, ela foi adoptada por Mentor (pai do Thanos), que a levou para outro planeta onde ela foi treinada por monges até eventualmente se tornar numa super-heroína telepata chamada Moondragon. Quem se tornou no Drax foi o falecido pai: Mentor, com a ajuda de um deus, Kronos, capturou o espírito de Arthur Douglas e colocou-o num corpo novo. Rebaptizado como Drax, o Destruidor, Arthur Douglas deu consigo numa nova vida como um gigante verde cujo único propósito é matar Thanos.

Eu avisei que esta segunda parte ia ser bastante surreal. E tenho uma esperança de que ainda vá ficar mais: afinal, com o eventual confluir das várias personagens nos filmes da Marvel, pode ser que daqui a uns anos venhamos a ter um super-filme que mistura o tipo de space opera em que um guaxinim falante e uma árvore viva são coisas perfeitamente normais com os devaneios de um objectivista marado (Steve Ditko) sobre as aventuras psicadélicas de um médico feiticeiro (cursos em Harvard, Himalaias) e os seus combates contra coisas como DORMAMMU. E se isso chegar ao cinema, de certeza que vai ganhar todos os Óscares. Mas provavelmente não sobreviveríamos a algo tão inconcebivelmente metal.

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Quem diz que seres místicos e estações espaciais não combinam?