O futuro de um Universo (e algum do seu passado oculto) — Parte 6


Celebrai, ó pessoas que lêem estes artigos, pois hoje acaba o vosso sofrimento! Chegamos hoje por fim à última parte desta maldita série. E celebro também eu convosco, já que estou finalmente livre do tema por uns tempos. Depois do momento de body horror e terror psicológico do último artigo, vamos hoje compensar com a descrição de acontecimentos de coisas mais fabulásticas.

Avengers: Infinity War — Part 2 — 3 de Maio de 2019

Quando falámos da primeira parte do Infinity War, centrámo-nos em Adam Warlock, um herói que é uma das peças fulcrais da história original em que o filme se baseia. Hoje vamos pegar na peça fulcral do outro lado do campo de batalha: Thanos, o Titã Louco.

thanos

Por esta altura, já é uma figura familiar da audiência destes filmes, depois das suas breves aparições no primeiro filme dos Vingadores e no Guardiões da Galáxia. Mas duvido que muita gente esteja familiarizada com a sua motivação e feitos. Chamar louco a Thanos é um bocado como chamar quente ao centro do Sol; tecnicamente verdade, mas é uma simplificação bastante bruta da realidade.

Este simpático senhor roxo já passou por coisas como ressuscitar umas tantas vezes, aniquilar galáxias inteiras, enganar o Diabo e algumas entidades cósmicas (essencialmente, deuses) e, famosamente, tornar-se omnipotente e matar metade do Universo com um estalar de dedos. Como é óbvio, quando Thanos faz alguma coisa, fá-la em grande!

Mas porquê? O que é que leva alguém a cometer este tipo de actos tão brutais, mas tão brutais, que até a palavra brutal se torna num eufemismo? Numa palavra? Amor. Amor por uma senhora muito especial.

death

“Oh boa, precisas de mais carne nesses ossos” — um brejeiro qualquer

Essa senhora muito especial, claro, é a Morte. E de repente, o comportamento “estranho” de Thanos faz todo o sentido.

Inhumans — 12 de Julho de 2019

Apesar de ainda falarem quatro anos para este filme, os Inumanos já andam pelo Universo Cinemático Marvel: a última temporada da série Agents of S.H.I.E.L.D. centra-se em grande parte nesta variante da espécie humana. Para evitar spoilers da série, não vou descrevê-los, mas isso não impede em nada que fale de uma história em particular que envolve o Inumano mais icónico de todos: Lockjaw, conhecido na versão portuguesa como Dentinho:

lockjaw

Como é óbvio pela imagem acima, o Dentinho é um bulldog gigante e bastante afável. O tamanho do cão não é a coisa mais impressionante: para além do seu tamanho fora do comum e da sua inteligência considerável, consegue também teletransportar-se a si e a quem estiver por perto. Mais do que um cão, é também o método de transporte favorito dos Inumanos. Mas, apesar de tudo, continua a ser um cão. E é exactamente por essa razão que toda a gente ficou muito surpreendida quando o cão falou numa história de John Byrne! Afinal de contas, o Dentinho não era um cão gigante e sim uma pessoa gravemente deformada.

O que escapou a John Byrne foram as implicações desta decisão: se o cão afinal era uma pessoa, porque é que os outros Inumanos o tratavam como um cão? A única razão possível era, obviamente, serem umas bestas (algo que não é inédito na BD de super-heróis). O problema tinha de ser resolvido. E a maneira como o fizeram foi, sem dúvida, mais bizarra do que o Dentinho em si.

Alguns anos depois, revelaram que esta história toda tinha sido uma partida feita via ventriloquismo para convencer Ben Grimm, o Coisa do Quarteto Fantástico de que o cão gigante era uma pessoa!

xfactor

E assim, um dos super-heróis mais conhecidos do Universo Marvel passou anos a fio convencido de que um cão era gente.

 Acaba então a nossa morosa jornada conjunta pelo Universo Marvel: com um super-herói embaraçado com ventriloquismo. Claramente um momento digno de tal posição!