Prostrem-se perante… Domashev?


Foi lançado recentemente o trailer para o novo filme do Quarteto Fantástico.

Eu queria estar entusiasmado para este filme; queria mesmo! Mas eles tornam-no difícil demais. Espero (mas não com muita esperança) estar enganado, mas os sinais estão lá todos: um trailer com uma narração de pseudo-sabedoria, os uniformes desinspirados, o aspecto “escuro” e supostamente realista de toda a coisa… E, claro, o título apresentado como Fant4stic! “Fant-four-stic”? Não, obrigado. Salvo raras excepções, esse tipo de título parece ser pior do que uma maldição!

Até pode eventualmente sair daqui um filme de ficção científica decente, quiçá até mesmo bom. Não me parece é que vá ser propriamente um filme do Quarteto Fantástico.

Tudo o que sei deste filme berra realismo! Aquele maldito tipo de realismo que tem assombrado uma boa parte dos filmes de super-heróis e que só sucede em fazê-los parecer ainda mais estranhos. O tipo de realismo que faz com que o Batman do Christopher Nolan seja um sociopata perigoso em vez de um herói.

O Quarteto Fantástico sempre foi mais Flash Gordon do que Star Trek. Aventuras de CIÊNCIA! (sim, com o ponto de exclamação e todas as letras maiúsculas), uma espécie de ficção científica mais fantasiosa e estapafúrdia.

Quão estapafúrdia? Na primeira aparição do Dr. Doom, o antagonista principal da equipa, o plano dele resumia-se a obrigá-los a viajar no tempo para roubar o tesouro do famoso pirata Barba Negra. E, caso isto não seja estranho o suficiente para o caro leitor, enviá-los atrás no tempo é que cria a lenda do famoso pirata Barba Negra, quando um dos membros da equipa (Ben Grimm, o Coisa) toma a identidade para si mesmo.

barba negra

Sim, o Barba Negra era um homem de pedra gigantesco. Estejam à vontade para apontar esse detalhe em aulas de História (Marvel)

E quem mais sofre com esse realismo do filme parece ser exactamente o Dr. Doom! Nas histórias em que surgiu, Victor von Doom é um génio científico. Com conhecimentos de magia. Que lidera uma nação com um punho de ferro. E que ficou desfigurado com a explosão de uma máquina que lhe iria permitir comunicar com os mortos! Tal é a grandiosidade de Doom.

Já a versão que aparece no próximo filme é descrita pelo próprio actor como sendo “(…) um programador. Um programador muito anti-social. E nos sites de blogging chamo-me ‘Doom’.”

Sim, nem o nome “Victor von Doom” pode ficar no filme. Não é realista! E assim nasce Victor Domashev, o hacker conhecido como Doom quando está online. Hey, ponham-lhe um bobblehead com o aspecto clássico da personagem na secretária ao lado do PC e assim já nem precisam de pôr o homem na armadura icónica! Afinal, o que interessa nos filmes de super-heróis é (digam comigo) O REALISMO!

doom

Claramente um look muito démodé para um filme moderno.