Aquela vez que a guerra mudou forte e feio.


Então o Fallout 4 foi finalmente anunciado. Sim, eu sei que já lá vai cerca de um mês, mas estive ausente do Ministério numa missão de grande importância (leia-se carga de trabalhado superior ao normal, acrescida à já habitual preguicite aguda) e tenho uma proximidade demasiado grande à série para evitar a oportunidade de falar dela, dane-se o atraso!

Mas não vou falar do Fallout 4. Aliás, nem vou falar da Bethesda. Esses são assuntos nos quais eventualmente irei tocar e, provavelmente, provocar a ira de muitos leitores no processo. E agora que já aqui deixei um bocadinho de clickbait para artigos futuros (convém ser eficiente para compensar pelo tempo perdido), vamos então ao que interessa:

É costume ouvir-se críticas bastante agressivas à Bethesda vindas da velha guarda de fãs de Fallout. Coisas como “O Fallout 3 é (introduzir aqui impropérios cheios de imaginação)” ou, mais recentemente, “O quê? O Fallout 4 não tem skills? RIP Fallout”. Quem ouvir isto sem estar bem informado, pode achar que a série continha apenas jogos de qualidade irrepreensível até ao Fallout 3. Esse pensamento é uma falsidade gigantesca.

Existe um “bicho-papão” na série Fallout. Um jogo de tal maneira demoníaco que a sua existência é negada por muitos. O Voldemort de Fallout, por assim dizer. Para pôr as coisas em perspectiva, permitam-me primeiro mostrar-lhes um trailer do Fallout 2:

Notem o tom retro e o tipo de humor subtil e sarcástico. Comparem-no agora com a seguinte preciosidade:

O que é que aconteceu? No final dos anos 90, a Interplay estava em graves dificuldades financeiras que, eventualmente, levaram a que fosse comprada pela empresa francesa Titus. Com o tempo, a empresa decidiu que devia passar todos os seus recursos para o desenvolvimento de jogos para consolas. Como é aparente pelo trailer acima, achavam que o público-alvo nas consolas tinha a capacidade crítica de uma couve o que, obviamente, se traduziu num fracasso considerável. Tecnicamente, a Interplay não chegou a morrer, mas é hoje uma mera amostra do gigante que foi no passado.

Já o Fallout: Brotherhood of Steel (ou Fallout: Piece of Shit, como é chamado pelos fãs) parece ter caído num esquecimento quase total. É culpado por tudo o que o Fallout 3 é: mudar demasiado o tom do jogo, desrespeitar o canon e ser, em geral, um jogo estúpido. Mas fê-lo de uma maneira tão estupendamente exagerada, que criou um buraco negro à sua volta e foi sugado por si mesmo, por mais paradoxal que isso pareça. Por isso, da próxima vez que alguém vos falar do Fallout 3 como o pior de todos, já sabem qual é o assunto que devem trazer à baila.

E ainda dizem que a guerra nunca muda…

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