Biografia — Ralph Baer: O Pioneiro dos Videojogos


Este artigo foi escrito com a colaboração de Beatriz Nipo, Diana Alves e Miguel Peixoto para um trabalho da Unidade Curricular de História da Comunicação do curso de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho.

Imagem de destaque da autoria de Michael Schilling.


 “Ao associar a consola à televisão, Baer ligou os jogos digitais à tecnologia de comunicação de massa mais pervasiva da era, permitindo a convergência dos dois meios de comunicação mais importantes do século XX — a televisão (…) e os computadores (…) ” (Kline, Dyer-Witherford & de Peuter, 2003, p. 92).

Ralph Henry Bauer (originalmente Rudolf Heinrich Baer), o homem que viria a ser conhecido como “o pai dos videojogos”, nasceu a 8 de março de 1922 na cidade de Pirmasens, na Alemanha, filho de Leo e Lotte Baer. Com a subida ao poder do regime Nazi, a família de origem judaica começou a temer o antissemitismo fervoroso que se instaurava no país, o que veio a levá-los a abandonar a Alemanha em agosto de 1938. Felizmente para a família Baer, uma parte considerável da família de Lotte tinha já emigrado para os Estados Unidos da América em 1895, o que facilitou a entrada no país. “1938, em agosto, que foi três meses antes da Noite de Cristal¹, quando as coisas ficaram mesmo feias. Tive uma sorte dos diabos em sair de lá mesmo a tempo” (Edwards, 2007, p. 1) disse Ralph Baer durante uma entrevista, quando questionado sobre a sua chegada aos Estados Unidos.

A adaptação de Baer ao novo país foi facilitada pelo seu domínio da língua inglesa e, cerca de uma semana depois da sua chegada, já trabalhava a tempo inteiro numa fábrica de artigos de couro em Nova Iorque. Foi durante esse tempo que um anúncio a um curso por correspondência do National Radio Institute para a formação de técnicos de rádio chamou a atenção do jovem Baer. Após finalizar o curso em 1940, trabalhou na área durante três anos a reparar rádios, televisões e antenas em Manhattan, até ser recrutado pelo Exército Americano. Baer regressou eventualmente ao continente que o viu nascer para participar na 2ª Guerra Mundial na área das Informações Militares. Segundo Burrowes (2014), “O seu curso e afinidade natural com máquinas permitiram-lhe escrever documentação de treino inestimável para os soldados Aliados em preparação para o Dia D” (Ralp H. Baer: Origins).

Após regressar aos Estados Unidos em 1946, Baer ingressou no curso de Engenharia de Televisão no American Television Institute of Technology em Chicago, ao abrigo da GI Bill², obtendo o seu bacharelato em 1949.

De 1949 a 1956, Baer trabalhou como engenheiro em três empresas: na Wappler, Inc (de 1949 a 1950), onde desenvolveu material eletromédico, na Loral Electronics (de 1951 a 1952), em que trabalhou em equipamento para a sincronização de relógios de ponto da IBM e desenvolveu computadores analógicos para deteção de submarinos e recetores de televisão a preto e branco e, por fim, na Transitron, Inc (de 1952 a 1956), onde trabalhou com equipamento de teste de radar, acessórios de Hi-Fi, entre outros. Foi também durante esta altura, em 1952, que se casou com Dena Whinston com quem veio a ter dois filhos e uma filha: James Whinston Baer, Mark Whinston Baer e Nancy Doris Baher. Surgiu também durante esta altura uma ideia que viria a levar à invenção pela qual Baer é mais conhecido: em 1951, pensou pela primeira vez na ideia de jogos numa televisão. Porém, os seus empregadores na Loral rejeitaram a proposta. A ideia viria a ressurgir anos mais tarde.


¹ Uma série de ataques violentos antissemitas que se deram a 9 e 10 de novembro de 1938 em território alemão e austríaco.

² Lei americana para apoio a veteranos da 2ª Guerra Mundial.

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