Há uma mão estranha na minha Lua


O mui aguardado lançamento de Oddworld: New ‘n’ Tasty para Linux, Windows, e OS X está finalmente (por finalmente, entenda-se desde 15 de Janeiro) marcado. No dia 25 de Fevereiro, os jogadores de PC vão finalmente poder deitar as mãos a este remake do grande clássico que é o Abe’s Oddysee.

Mais importante do que isso, no 31º dia do mês de Agosto deste ano, a série Oddworld fará 18 anos. É verdade, o Oddworld está prestes a ser maior de idade. Já passou muito tempo desde que o jogo inaugural, Abe’s Oddysee, foi lançado para a Playstation original e para o PC e é impressionante o quão bem o jogo envelheceu: o Abe mantém-se uma personagem tão relevante como há quase duas décadas atrás e a jogabilidade, sem dúvida única, consegue competir tête-à-tête com jogos lançados nos dias de hoje, apesar de toda a evolução que houve na indústria.

Mas o que este jogo tem de mais único é sem dúvida a maneira como passa a sua mensagem. Salvo raras excepções, os videojogos não tendem a ter propriamente uma mensagem a passar; e ainda mais raros são os que o conseguem fazer com a mesma classe que a franchise Oddworld.

Aliás, fazem-no de tal maneira bem que até nos pode escapar à primeira vista… Mas as sementes da ideia ficam com certeza gravadas. Ora vejamos:

O jogo de estreia resume-se à aventura de Abe, um humanóide disforme que trabalha como empregado de limpeza/escravo — um protagonista com o qual jogadores se podem identificar facilmente, ao contrário do típico herói de videojogos — numa fábrica de comida chamada Rapture Farms. A fábrica em questão já perdeu a capacidade de produção de um dos seus produtos por o animal em questão ter desaparecido de vez — um aviso à falta de cuidados ecológicos por parte da indústria — e está a começar a perder alguns lucros. Para o horror do Abe, os dirigentes da Rupture Farms decidem começar a usar os próprios “funcionários” como matéria-prima no seu novo petisco — uma boa metáfora para as empresas sem valores éticos que não se importam com o bem estar dos seus trabalhadores e procuram o lucro a qualquer custo.

Oddworld está cheio de mensagens destas. Mas a grande beleza dos jogos está no facto de que estas mensagens nunca nos são enfiadas pela garganta abaixo! Estão lá, sim, mas são subtis e estão inteligentemente entrelaçadas na narrativa e temperadas com bom humor de maneira a não chocarem com a história e ambiente dos jogos.

Sempre achei que a melhor maneira de passar uma mensagem, uma ideia, era apresentá-la em moldes pouco intrusivos e deixar que  as pessoas a absorvam ao seu próprio ritmo. Por isso é que a arte tende a ser um mecanismo eficiente para a propagação de novas ideias: não as berra a alto som, mas planta as sementes de uma ideia na mente de quem é exposto a ela. E nisto, Oddworld brilha e muito.

Por fim, para quem quiser saber mais sobre a história da Oddworld Inhabitants, deixo-vos este episódio da velha série Icons:

E, para os interessados no Oddworld: New ‘n’ Tasty e nos outros jogos da Oddworld Inhabitants, podem deitar-lhes as mãos aqui. É um investimento do qual não se vão arrepender!

Categories