O Mal lá da Casa


Ah, “Resident Evil 7: Biohazard”… que surpresa agradável! Já desde o grande “Resident Evil 4”, lançado em 2005, que não tinha qualquer tipo de interesse na série. Aliás, mesmo o RE7 esteve todo este tempo sem sequer entrar no meu radar. Mas o facto era que no mínimo dos mínimos as alterações na fórmula do jogo iriam dar um artigo interessante; aliando a isso alguns comentários de gente conhecida, lá nos decidimos a escancarar as portas da caixa-forte da sede do Ministério, desbravar as milhentas teias de aranha que por lá estavam… e acabar por tirar o dinheiro do nosso próprio bolso depois de nos depararmos com a trágica situação financeira desta mui nobre instituição.

O jogo não foi bem o que estava à espera. Apesar das afirmações da Capcom de que estavam a voltar às raízes, custava-me a crer — parecia estar a ir muito na direcção destes survival horrors mais modernos, género que tem talvez o seu representante mais popular no “Alien: Isolation”. Enquanto estes jogos tendem a focar-se muito no quão indefeso o jogador está perante os horrores com os quais se deparar, “Resident Evil” dá-lhe mais agência: o jogador não controla um pobre coitado que se viu metido numa situação com a qual não está preparado para lidar, mas sim personagens bastante competentes na arte de “dar tiros a coisas”. Para além disso, o universo da série encontra-se numa realidade… muito própria, digamos. É over-the-top, um pouco cómica e não tem medo de o admitir. Noutras palavras, não é bem terror puro. Afinal de contas, estamos a falar de uma série que tem um bloco de tofu como personagem.

Não se preocupem, o Tofu tem uma naifa.

Bom, depois das minhas 20 horas com o “Resident Evil 7”, é com todo o prazer que digo que estava enganado no que toca ao jogo… mas ao mesmo tempo não estava! Este capítulo da série é ao mesmo tempo uma experiência nova e algo muito fiel às origens da série, algo que foi conseguido através de uma mudança de ritmo que se vai dando à medida que avançamos pelo jogo. Ao começar, não o reconhecemos como um “Resident Evil”. À medida que vamos avançando, porém, as peças começam a cair no sítio: voltam os puzzles, um tipo de combate muito semelhante e até mesmo a narrativa começa a encaixar-se na série em si através de alguns pequenos detalhes. Pequenos detalhes esses que foram o que mais apreciei no jogo: o foreshadowing está feito de uma maneira genial, mas só perto do fim é que nos começamos a aperceber da relevância de muito do que vimos.

Mas no melhor pano cai a nódoa, e “Resident Evil 7” não é excepção. Tem, aliás, uma coisa que me irritou um bom bocado: a sua suposta “escolha” que nos leva a um dos dois fins é completamente irrelevante. Parece lá estar só para que a Capcom possa dizer que existe, mas o jogo não nos oferece nada de diferente, fora umas mudanças no diálogo… pior ainda, se tomarmos uma das opções, apercebemo-nos imediatamente do quão pouco muda entre elas. Digamos que foi como se pusessem um cartaz a dizer “Rebuçados Grátis”, mas nos dessem antes um saco só com os papéis.

Fora este pequeno detalhe, que não deixa de ser um ódio de estimação, sem dúvida que a Capcom voltou à boa forma com esta série. Pessoalmente, espero que continue a seguir por este caminho.

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