O último Metal Gear Solid


Com o lançamento iminente do mais recente jogo da série Metal Gear Solid (MGS), não podia deixar de escrever um artigo sobre a mesma. A minha ideia original passava por comentar sobre a ironia de tanta gente olhar para o Snake (os Snakes?) como um herói de acção. Mas depois lembrei-me: ao que tudo aponta, este vai ser o último MGS.

Sim, é perfeitamente possível que a Konami tente continuar a série, talvez até numa forma bem diferente daquela a que estamos habituados. Mas mesmo que a série se mantenha na sua forma mais familiar, não nos enganemos — o Phantom Pain é o último da saga.

Poucas séries estão tão intrinsecamente ligadas ao seu criador. MGS sem Hideo Kojima é como uma sandes mista sem queijo e fiambre! Sim, podem dizer que uma folha de alface e um pouco de marmelada enfiados dentro de um pão é tecnicamente uma sandes mista, mas ninguém vos vai levar a sério.

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O queijo e fiambre da maravilhosa sandes que é Metal Gear (Nikita)

Há sem dúvida muita gente talentosa que é responsável pela série e pela sua qualidade constante ao longo dos anos. Mas, sem querer tirar o devido mérito a todas essas pessoas, nada me tira da cabeça que a “loucura” muito própria do Sr. Kojima é a cola que mantém a consistência do universo Metal Gear. Porquê, perguntam vós? Já alguma vez pararam para pensar no diferentes que todos estes jogos são? Há sem dúvida um fio condutor que os une, mas não é muito fácil discerni-lo.

A própria temática dos jogos muda de entrada para entrada: o Metal Gear Solid original é um jogo sobre os horrores da guerra, no qual um ex-soldado é arrastado de volta para o campo de batalha para impedir um desastre nuclear. O segundo jogo é, em grande parte, sobre o jogo original, sobre as perspectivas dos fãs e sobre videojogos em geral. Já o Snake Eater é praticamente uma carta de amor ao James Bond e ao Rambo e, por fim, o Metal Gear Solid 4 tenta resolver todos os plot points enquanto comenta os problemas da privatização de forças militares. Todas estas descrições são simplificações meias abrutalhadas, mas dão para ter uma noção do quanto os jogos variam entre si.

Existem, contudo, elementos que os unem: um sentido de humor que parece ao mesmo tempo encaixar e estar fora de lugar. Um tipo de realismo, que está sempre a ser quebrado. Uma história complexa e adorada, que está sempre a ser alterada e revista. E, talvez o detalhe mais próprio da série, um estilo altamente cinemático mas que ao mesmo tempo aproveita em pleno o facto de ser um videojogo e não um filme!

E são estas coisas que eu acredito plenamente serem a maior contribuição de Kojima, a tal “loucura” muito própria. Sem ela, MGS corre o risco de se tornar em algo bastante desinteressante. E, para isso, mais vale deixá-lo morrer.

“This is good… isn’t it?”

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