Quando morrer quero que seja o Passos Coelho a escrever a minha autópsia


Já demasiada tinta, virtual ou não, se gastou a esmiuçar a recente “biografia autorizada” do primeiro ministro Pedro Passos Coelho, escrita pela sua assessora Sofia Aureliano. Certamente recebeu mais atenção do que o seu magro conteúdo justificaria. Por isso, não me vou delongar demasiado a escrever sobre este quase não-assunto.

Nem vou, até porque não faço a mínima intenção de vir a ler o livro (já a isso se sacrificaram outros, e o relato que fazem não é famoso), comentar sobre as omissões gigantescas (eu prefiro chamar-lhes “desvios colossais”) referentes à sua vida profissional fora da actividade partidária.

Mais ou menos isto.

Uma representação visual. (Jez Arnold)

Pretendo apenas chamar atenção para o título escolhido para esta obra épica, porque me parece ser um daqueles raros momentos “Eu não disse?” da minha vida.

“Somos aquilo que escolhemos ser”

É o título da biografia de PPC, aparentemente uma súmula perfeita da vida e obra desta Força da Natureza de Massamá. Sobre o conteúdo só posso conjecturar, mas para mim o título apenas vem confirmar a ideia que tenho sobre este homem: que é um true believer, um verdadeiro crente no mito do Empreendedor.

discorri antes sobre o assunto em maior profundidade, mas é essencialmente isto: a crença de que cada um de nós é, individualmente, o único responsável pelo seu sucesso material; consequentemente, cada um de nós é também o único responsável pelos seus fracassos.

O trajecto de PPC confirma esta tese: logo desde o início, teve a visão estratégica de nascer num país europeu, na segunda metade do séc. XX. Mostrou uma rara sabedoria ao fazê-lo para um pai médico e uma mãe enfermeira, família de classe média-alta. Mais tarde, teve a clarividência de estar vivo durante uma revolução política que re-instaurou a democracia, abrindo caminho para a sua própria carreira política. Exemplos como este abundam numa vida exemplar, prova viva de que, realmente, só não chega longe quem não quer o suficiente.

Qual Rei Salomão, Pedro Passos Coelho estende este douto juízo sobre todos os Portugueses, com os felizes resultados que estão à vista.


Imagem de destaque da autoria de European People’s Party.