E a ignorância? até quando toleramos?


Já vimos tolerância à remoção de direitos básicos por segurança. Já vimos tolerância à pedofilia na igreja. Já vimos tolerância a nazis nas ruas. Já vimos tolerância a escravatura na tecnologia. Já vimos tolerância a corrupção submarina.

E vimos tolerância à morte, à violação, à mutilação, ao controlo do corpo e da mente.

Por isso vemos os mares de apatia e indiferença; e os faróis de luta e do sacrifício.

Tudo por um pouco de compaixão, educação e saúde.

No século XXI, no ano de 2018 após o nascimento de um homem a quem supostamente damos valor, ainda há quem acredite que a lei da ilusão, do conformismo e da manipulação individualista valem mais que a lei da humanidade, do próximo e do próprio. De todos nós, de nós como um todo. Com aspirações comuns, necessidades comuns, deveres e direitos comuns, com passados e futuros comuns.

Doutrinação : o acto de instruir nos princípios de alguma doutrina ou ideia
“doutrinar”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/doutrinar [consultado em 12-05-2018].

Vamos rezar, ajoelhar, levar os nossos filhos pelo mesmo degenerado caminho. Vamos sentir as energias, contaminar o próximo com a nossa ignorância, alocar as falsas valências com as nossas velhas heranças e ignorar anos de história e sacrifício. Sim, vamos ignorar o esforço daqueles que lutaram para que tivéssemos um Mundo melhor, mais saudável, mais seguro, mais rápido e inteligente.Vamos gozar o nosso e espremer o funcionário que nos sustem por mais uma percentagem no nosso prémio mensal. Por um imaginário e por uma voz que menosprezam o ditado da experiência e do pensamento crítico.

Até quando vamos aceitar a partilha de ignorância. Até quando vamos aceitar as mutações metafísicas da burocracia e a aristocracia do capital abstracto.

Vamos ignorar, continuar, perpetuar a relação que temos com o próximo e o ambiente.

Vamos educar os próximos a perceber que este Mundo não precisa deles e que nós chegámos primeiro.

Vamos ignorar o que deixaram para nós e pedir ao próximo representante que escolha por nós.

Vamos votar. Vamos votar no nosso representante populista e demagogo, administrador de capital invisível, malabarista de mumificantes políticas antepassadas.

Até quando vamos aceitar que um país com o tamanho duma cidade seja mal gerido?

Vamos esperar que a polémica nos alimente a manhã e a tarde… e de noite aproveitar um pouco de espectáculo fútil e infrutífero, para adormecer sem pensar muito.

 

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