Este ainda cá anda?


Aquando da minha anterior diatribe contra o pascácio do Rui Sinel de Cordes, pouco mais sabia acerca dele e da sua visão do mundo. Mas suspeitava do que só agora pude confirmar: que o tesão que tem pelo “politicamente incorrecto” (leia-se, o direito a ter posições extremamente conservadoras parecendo disruptivo) é acompanhado por um equivalente atavismo noutras matérias.

Num vídeo recente, o RSdC protesta contra a “utilização errada” de subsídios do Estado a companhias de teatro, pelos actores e encenadores que passam a vida a “mamar whiskey tardes inteiras a fio”. Demonstra um admirável espírito empreendedor: queixa-se dos subsídios no mesmo fôlego em que reclama mais subsídios para SI. Não sei, parece que há uma ala de stand ups Portugueses que insistem em confundir “comédia” com “empreendedorismo”.

Um facto pouco conhecido: o RSdC vende os joelhos de todas as calças que veste para mantas de retalhos de Mértola.

Um facto pouco conhecido: o RSdC vende os joelhos de todas as calças que veste para o fabrico de mantas de retalhos de Mértola.

Uma das queixas que tem acerca do teatro é que algumas companhias estão paradas durante meses a fio para apresentarem um espectáculo, que ninguém vai ver, durante 15 dias. Toda a gente sabe que a forma do RSdC se preparar é escrever umas notas num guardanapo de papel 5 minutos antes de subir ao palco, mas tenho ideia que em teatro ainda se faz preparação de actores, cenografia, figurinismo, sonoplastia, ensaios e coisas do género.

Não aponta nenhum exemplo concreto, é claro — faz questão de dizer que da Cornucópia pouco ou nada sabe —, mas isso não o impede de ter uma forte opinião sobre o assunto. Aposto que também conhece N exemplos de desempregados que passam a vida na esplanada, de negros preguiçosos e judeus avaros. Em sua defesa, pode ser só a covardia que se lhe conhece o porquê de não apontar um caso específico. Caso contrário, seria só uma generalização grosseira baseada num estereótipo populista elementar.

No fim do vídeo, como uma criança que acabou de interromper os pais no acto sexual, o RSdC tem muitas questões. Ao Ministro da Cultura pergunta, tu cá tu lá, “o que é isso?”, “às 9 da manhã estão aí?”, “o que é que está aí a acontecer?”, “qual é a cena das saquetas de amendoins nos aviões? Porque as fazem tão pequenas?”

Fá-lo com toda a — orgulhosa? — ignorância a que nos habituou. Diz: o Ministério da Cultura é “super recente. Nem havia (…) há poucos meses” e foi criado pelo actual executivo “para beliscar o PSD”… Nem sei o que lhe diga a não ser: cultive-se.